Informativo

Relatório da OIE mostra mudança global no uso de antibióticos em animais

26/03/19

Terceira edição do relatório da organização mostra que o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento caiu de 60 para 45 países.

Os números publicados em um novo relatório que acaba de ser divulgado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) mostram uma evolução positiva em todo o mundo na regulação e monitoramento do uso de antimicrobianos em animais. O relatório visa fortalecer a capacidade de todos os países de coletar dados críticos sobre o uso de antimicrobianos em animais.

A OIE desenvolveu um sistema voluntário de coleta de dados do qual todos os países podem participar, informa a imprensa especializada na Europa. As conclusões do relatório, apresentado no dia 14 de fevereiro, mostram os resultados globais do terceiro recolhimento anual de dados e fornecem uma análise global e regional entre os anos de 2015 e 2017. No total, um recorde de 155 países participou, mostrando maior compreensão e priorização para essa questão em escala internacional.

"O banco de dados da OIE é uma importante iniciativa que desenvolve a capacidade de vigilância sobre o uso de antimicrobianos em animais em nível nacional e global", disse Monique Eloit, diretora geral da OIE. "A OIE visa ajudar os países, independentemente dos seus recursos financeiros, a garantir que os antibióticos e outros medicamentos veterinários importantes sejam utilizados de forma prudente e responsável. Uma das principais recomendações da OIE é que os países suspendam progressivamente o uso como promotores de crescimento dos agentes antimicrobianos considerados de importância crítica.”

De fato, o relatório mostra que o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento caiu de 60 para 45 países desde a última coleta de dados. No entanto, os principais antimicrobianos, classificados pela OMS como antimicrobianos de importância crítica, como a colistina, continuam sendo usados ​​com frequência em várias regiões para esse fim. Devido a essa prática, muitos dos medicamentos considerados eficazes estão em perigo, tanto para animais como para pessoas.

O desenvolvimento de uma estrutura regulatória sólida é um componente-chave para proteger os agentes antimicrobianos, garantindo seu uso responsável e prudente na saúde e na produção animal. É também um poderoso instrumento para eliminar seu uso como promotores de crescimento, embora se reconheça que abordagens voluntárias podem ser eficazes em certos países.

O relatório mostra, ainda, uma evolução positiva em 72 países que não têm um quadro regulamentar sobre o uso de promotores de crescimento, o que representa uma diminuição em relação ao primeiro relatório e indica que faltam 110 países. Essa diminuição sugere um progresso considerável na implementação de regulamentos sobre o uso de agentes antimicrobianos.

"Enquanto muitos países já tomaram medidas-chave, tais como o estabelecimento de vigilância e regulamentação do uso de antimicrobianos na saúde humana e animal, ainda temos um longo caminho a percorrer", diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da Organização Mundial de Saúde. "Trabalhar em conjunto é a única maneira de evitar o enorme custo humano, social, econômico e ambiental da resistência antimicrobiana", aponta.

Para muitos países, o processo de estabelecer sistemas de coleta de dados em nível nacional é tão importante quanto os dados em si, além disso, mostra sua vontade de cooperar. Graças ao processo de coleta de dados em nível nacional, foi possível entender e identificar várias barreiras para a coleta de dados de qualidade, como a inadequada estrutura e aplicação de marcos regulatórios para o uso de antimicrobianos; a ausência de ferramentas e recursos humanos adequados para facilitar a coleta e análise de dados; e a falta de coordenação e colaboração entre as autoridades nacionais e o setor privado.

É encorajador o fato de que, a cada ano, mais países fornecem não apenas dados qualitativos, mas também quantitativos, como as quantidades de agentes antimicrobianos usados.

Esta publicação finalizada do terceiro relatório do OIE registra um aumento de 32% nos dados quantitativos desde o início da coleta de dados. A participação de todos os setores envolvidos na luta contra a resistência antimicrobiana, tanto aos reguladores, veterinários, agricultores, empresas e à indústria de alimentos, é fundamental.

"Os antimicrobianos são importantes para proteger a saúde das pessoas e animais, bem como os meios de subsistência e segurança e segurança alimentar, mas esses medicamentos devem ser usados de forma responsável", disse José Graziano da Silva, diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. "Encorajamos os países a se envolverem com todos os setores envolvidos na promoção do uso prudente e responsável desses medicamentos fundamentais, inclusive nos setores agrícolas."

Apesar das melhorias observadas, a comunidade internacional deve manter o objetivo de fortalecer a capacidade das autoridades competentes dos países para regular o uso de antimicrobianos em animais a nível nacional, indica o relatório. "Nós reconhecemos que houve um progresso significativo para assegurar o uso prudente de agentes antimicrobianos em animais nos últimos anos, mas ainda há muito a ser feito", declarou Sally Davies, chief medical officer da Inglaterra, co-coordenador do Grupo da IACG das Nações Unidas em Resistências Antimicrobianas. "Com um número maior de países relatando dados quantitativos em comparação com os dois primeiros relatórios, este anuário fornece um excelente recurso para os tomadores de decisão utilizarem para identificar onde as ações precisam ser tomadas e apoiar a resposta geral às resistências antimicrobianas”, finalizou.

Fonte: Site - A Hora do Ovo

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